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"E ela disse: “Punha um pouco mais de açúcar.” Com a esperança de conseguir adoçar o amargo que ficou, depois que ele se foi." Beatriz Manfredini


Part. 3

Estou meio sem saber o que dizer. Estranho. Logo eu que sempre achei palavras para expressar os meus sentimentos por você. De repente, nada. Nada no sentido de não achar as palavras corretas para descrever esses meus últimos dois dias. Foram tantas incertezas, tantas dúvidas, tantos medos. Angustiante? Sim. Feliz? Mais ainda.

Dia 1: Calor na medida certa. Nervosismo a flor da pele. Sozinha. Ônibus, metro, metro, metro, metro e ônibus. 3 horas. Borboletas no estômago. Cegueira (RS). 12h25min o avião pousa. Mais nervosismo, mais borboletas no estômago. 12h35min chegada. Sorriso de canto. Cabisbaixa. Abraço um tanto mixuruca. Opa tem algo errado. Conversas. “Tá feliz?” “Tô feliz demais sô”. Cuidados. Sem muitos olhares. Banheiro. “Vamos?”. Conversas. Sorrisos (de canto). Perdido. “É por aqui Mateus”. Tchau. “Desculpa”. “Se fosse o meu carro…” Abraço. Olhar fixo. “Até logo”. Mais 3 horas. Ônibus, metro, metro, metro, metro e mais um ônibus. Em casa, com uma dúvida e a fim de tirá-la.

Sabe quando você pensa que fez algo errado e isso te machuca profundamente? Aquela incerteza, aquele mau pressentimento. Não desejo isso a ninguém! Fiquei horas e horas rolando na cama até pegar no sono. Bem leve por sinal, acordei várias vezes durante a noite. Quanto medo. Quantos pensamentos inacabados. Volto a dormir, sonho com ele. Acordo meio feliz, meio triste, meio sabe lá o que. Um jeito Beatriz de ser.

Dia 2: “Não é aqui.” “É aqui”. “Não é aqui”. 13h00. Twitcam. “Mas ele tá ai?” “Tá na twitcam, vem comigo.” Sem nem ao menos perceber, como em um passe de mágica te vejo ali, olhando pra mim. Sem sorriso torto. Um tanto incomodado, não sei por que. Calma. Músicas. Sorrisos. Realizações. Já disse o quanto fico feliz por cada vitória dele? Por cada conquista. É tão bom vê-lo realizando um sonho e poder dizer: Eu faço parte disso. Ou melhor, saber que tudo está acontecendo no seu devido tempo. Ah, esse garoto tem futuro! Mais músicas. Felicidade escrita na testa. Emoção. Olhares (alguns). Erros meus, seus. Incertezas, dúvidas.  O que eu fiz? Fim. Sem chão, sem sorriso. “Oi”. Beijo. Afastado (muito por sinal). Vontade de chorar. Olhares. Desvios.

Pra que tanto silêncio?

Foto mixuruca. Foto mixuruca mais uma vez. Sem abraço. No elevador, me peguei pensando em uma forma de tentar entender, inválida obviamente. Porque você estava tão afastado? Tentava não me olhar, não relar. Por quê? Fiz algo? Diga-me! Tchau. Segura o choro (Pela primeira vez, não era por tristeza ao vê-lo partir e sim por não saber o motivo de tanta mudança). Espera. Incertezas. Tentativas frustradas de melhorar o meu humor. Horas que pareciam dias. Dor no pé e no estômago.

Não to dizendo que não estou feliz em vê-lo, pelo contrário. Ele me faz bem de uma forma que nenhum outro faz. Tem uma dose de cuidados que me encanta. Um jeito brincalhão sem graça, único. Só que e aquele lá que não parava de me olhar, sorrir? Que pegava na minha mão sem motivos. Senti falta dele esses dias.

Duas horas depois… “Olham elas aí”. A caminho do carro, opa voltou pra se despedir. Rosto virado. Mão. Perna. Arrepio. Olho no olho. “Você tá bravo comigo?” “Tô não.” “Tá sim.” “Tô não”. N: “Tá sim.” “Viu? Até ela notou.” “To não, sério.” (Senti sinceridade). Sorriso. Rosto virado novamente. Beijei-o pela última vez. De repente, ganho um beijo seu, não daqueles “mixurucas” que ele tinha me dado ao longo do dia. Ele nunca avia me beijando dessa forma. Meu rosto teve uma leve inclinação pra esquerda. Forte, carinhoso. Último tchau. “Boa viagem”. No carro, ele cabisbaixa. “Será que ele ficou pensando no que eu havia dito?”. Essa resposta eu nunca saberei. Da janela ele acenou e se foi a caminho do aeroporto.

Tudo havia ficado mais limpo, afinal era primeira vez em dois dias que ele tinha me olhado nos olhos decentemente. Com carinho na medida certa. Esse é o homem, garoto que eu conheci há um mês. Aquele que me faz suspirar. Sem malícia. Com um toque de ingenuidade que só ele tem. Carinho de fã. Carinho de Bia. Sem segundas intenções.

Gosto de estar perto dele, porque me faz bem. Porque vejo qualidades raras nele.

Eu só quero que você entenda que eu jamais abriria mão de você. E o medo de te ver distante de mim faz com que eu “trave” e deixe de falar tudo o que eu gostaria.

Estou pensando em você, pensando em nunca mais te esquecer...”

De: B.
Para: M.


28-08 2011 / 12:11am / Reblog This!
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