Dear,

Apaixone-se por uma pessoa que…

Não hesite em dizer que a roupa que você está usando não é muito adequada para a ocasião e que adora te ver sem maquiagem. Apaixone-se pela sinceridade que há em cada ser humano. Pela simplicidade dos detalhes que passam despercebidos em meio a um desentendimento. Pelo beijo logo pela manhã, sem se preocupar com o hálito que, junto do dia, amanhecia. Apaixone-se pelas noites em cama de solteiro, apertadinhas mesmo, um vira, acorda o outro. Acredite, quando se levantar sentirá o seu corpo inteiro doer e se, mesmo assim, estiver tudo bem, fiquei feliz porque você acabou de acordar com o homem ou mulher da sua vida.

Apaixone-se pelo cheiro que o outro deixa em seu travesseiro, pelas imperfeições que o torna tão comum aos olhos dos outros, mas que ao seu ver é tudo parte do quebra-cabeça mais encantador do mundo. Apaixone-se pelo som que forma quando vocês riem juntos. Pelo carinho na nuca e pelas costas arranhadas também. Pelas inúmeras vezes que, em meio a algum problema, essa pessoa segurou sua mão e te enxergou melhor que você realmente é. Apaixone-se pela serenidade e pela leveza de um olhar demorado e de um abraço apertado.

Permita-se!
Apaixone-se!

Minha escolha

Meio eu, meio ele. Meio sem jeito, meio do avesso. Ele sorriu e eu, numa fração de segundos, senti o meu rosto corar. Prazer, prazer. Sem muitas palavras. Uns beijinhos, como quem faz um caminho, e, lá estava eu, esparramada nos braços daquele homem de 1m90 de altura.  

Um rosto marcante e um jeito despretensioso, quase bobo de tão feliz. Foi assim que o percebi no amanhecer que nos pegava em cheio, cheio de desejos e curiosidades. Cheio do que contar, de amor pra dar.

Queria ficar, não queria ir… “só mais um pouquinho”, ele dizia. Gostei, gostei de rir e acariciar seus cabelos negros. De desvendar aquele menino-homem que me parecia mais um misto de coisas boas, de sentimentos bons. Cheio de inspirações e crenças - que me eram um tanto estranhas, mas que por algum motivo me encantavam.

Uma descoberta em meio a um abismo de ilusões – tão insignificantes perto do amor que ali nascia. Um pretexto para não temer ser feliz.

Ele sabia que não era comum, que encontros assim não acontecem com muita frequência. Eu sabia, só não entendia. E instigou a minha alma arrancando-me sonhos, suspiros e desejos escondidos. Como não voltar? Como apagar esse toque que me arrepia? Pois não, demorei, mas cheguei, cheguei para ficar. Tão bom revê-lo! Mal sabia que naquele reencontro, meio tímido e sem jeito, nos descobriríamos mais íntimos, mais completos.

Vem cá, no cantinho, mais pertinho. Fica mais um pouquinho. Meu Deus, eu te amo. Conte-me mais, assim… sem jeito… sobre como eu e você já não somos dois. Não consigo mais conter minha urgência em te ter por perto. Sei lá, o resto da minha vida seria um tempo razoavelmente bom, mas não o suficiente. O frio, não mais existia. E por fim ou começo de tudo, ficamos ali. E desde então, eu sei, ele sabe, que a chance é única e que a vida é feita das escolhas que fazemos ao longo dela. E, naquela noite, eu escolhi você.

E te escolho todos os dias.

B. 

A Mu(dança)

Durante toda a minha infância e adolescência uma unica frase ecoava em meus ouvidos: “saia debaixo das asas de sua mãe, Beatriz!” e eu não conseguia entender que mal tinha ser a sombra de uma mulher forte, determinada, meio-mãe-meio-mulher e meio mais todas as exigências inteiras do mundo.

E deve ser por isso que ela não entendeu nada quando abriu o guarda-roupas e só encontrou um par de meias furado no fundo da primeira gaveta. Era o começo da libertação, da minha autonomia.

Faltavam, exatamente, 15 minutos para às 22h, quando o meu celular tocou. Era ela. As minhas mãos tremulas não me deixaram apertar o botão antes que o telefone parasse de tocar - e agradeci por isso ter acontecido. Não sei o que poderia dizer.

"Bom, mãe, decidi virar gente grande de uma hora pra outra. Aparece. São só 100 km de distância. E olha que legal, agora eu tenho uma jardim e uma horta. Qualquer dia lhe faço um chá de camomila, fraquinho e docinho, do jeito que a senhora gosta. Com biscoitos que eu aprendi a fazer com o seu livro de receitas… Opsie… peguei emprestado. Logo te devolvo, você sabe que decorar nunca foi o meu forte. Mas decorei o seu número e e-mail, para que mesmo de longe, a nossa ligação continue inabalável. Estou feliz, ele me faz feliz, e espero que venha me visitar em breve. Te amo."

Mas aqueles que me conhecem (bem) sabem que não existe nenhuma possibilidade de eu falar ao telefone por mais de 5 minutos. Na realidade, fui feita para escrita e falar com ela naquele momento seria mais ou menos assim:

"É… hum… tô pra te falar isso faz tempo, mas… é… que… Desculpe, a senhora sabe que sou péssima com despedidas e que me desabo a chorar. Te amo, tchau." E desligaria o telefone antes que ela abrisse a boca. Suas palavras desabariam o meu coração. Não de tristeza, mas por estar iniciando uma fase fora daquela vida-debaixo-das-asas-da-mamãe. Uma despedida diferente de todas as outras, onde aprenderia a dançar em par e não mais sozinha.

Mas eu falava de libertação. E não tem como falar de libertação, sem me lembrar criteriosamente do dia em que resolvi ter alguém para compartilhar a Vida. Que decidi ter você para me ajudar a escolher a nova cor da nossa sala de estar; o nome dos nossos dois (ou três) filhos e ganhar de mim em todos os jogos existentes.

Uma mudança de vida, alma e espírito. Um renascimento meu ao lado de um homem que me ensinou o que é amar incondicionalmente e que me prova, diariamente, de todas as formas possíveis, o quão grande e intenso pode ser o amor entre um homem e uma mulher, se regado de carinho, respeito, cheiro e chamego. De apego.

Afinal, a vida é assim mesmo: cheia de fases boas e ruins, idas e vindas, mas que nossas essências jamais sejam esquecidas (já dizia minha querida mãe). E que o amor seja eterno e que nos faça cometer algumas loucuras de vez em quando. Que nos faça abrir mão da comodidade para viver em par com quem a gente ama. E viva o amor! E viva a mudança! E viva o nosso amor!

Beatriz M.

Bom dia, Domingo!

Poderia te acordar agora. Poderia deixar os meus dedos percorrerem, delicadamente, seus cabelos até que os seus olhos começassem a piscar confusos. Poderia te acordar com aquele “eu te amo”, que só a gente entende, e um sorriso estamparia o seu rosto dando boas-vindas à primavera que surgiria naquele Domingo.

Mas, por ora, prefiro observar a sua respiração cansada e pesada ecoando pelo meu quarto, deixando a luz entrar e moldar o seu corpo esparramado pela cama. Poderia fazer qualquer coisa para passar o tempo. Poderia contar as suas inúmeras pintas, te levar café na cama, espalhar todos os textos de amor que te fiz pelo quarto. Poderia sussurrar o quanto eu amo a nossa Vida.

Poderia deslizar o rosto para perto de você, sentir o teu cheiro que agora se derrama sobre mim e, deitada sobre o teu peito, poderia criar canções com as batidas do seu coração. Mas escolho ficar em silêncio e contemplar o presente que me foi dado: acordar com o homem da minha vida debruçado sobre os meus antigos cobertores e odores.

E, assim, entender que a nossa Vida-de-Domingo pode ser curta, cheia de imprevistos e que o mau-humor de quarta à sexta-feira são vestígios de uma saudade que insiste em bater todos os dias e que, especialmente nesses dias, resolveu carregar o peso que a falta faz.

Falta essa que se transformam em poesia com a chegada do sábado à noite. Me fazendo perceber a raridade dessa relação. Um presente que Deus, o Destino e o Acaso se uniram para me dar.

E, sob a luz e o silêncio, te observo abrir os olhos e, lentamente, sinto o teu calor invadindo e preenchendo o meu corpo.

Bom dia, Domingo. 

E foi assim que surgimos…

Em uma noite fria, nossas histórias se entrelaçaram e nós nascemos um para o outro.

Criamos um vínculo invisível para que aquele momento jamais fosse esquecido. O fogo e a água em um único contato. O seu olhar tímido e marcante se encontrando com os meus olhos cheios de mágoas. Fazendo-me renascer e esquecer a garoa fina e fria que assombrava o meu passado.

Um afeto perceptível, cheio de sentimentos gritantes e sorrisos roubados. O encontro que a minha alma tanto esperou. Fique. Fique por mim. Mas como um animal arisco, ele fugia. E demorei a perceber que ele fugia de nós. Fugia da saudade que surgiria após a sua partida.

Pausa.

Curioso: nossos pensamentos se entrelaçavam, nossos olhos se encontravam e a vontade de fazer daquele momento único e inacabável crescia dentro de nós. Uma mistura de sensações que haviam adormecido dentro de mim.

E o silêncio em mim gritava, mas mesmo querendo quebra-lo, me fiz fraca, me calei. Como uma forma de me proteger das dúvidas que chegariam com o tempo. Um bom papo, um cheiro, um abraço, um contato, um afeto, uma energia, uma demonstração.

O que foi real?

B.

👀
<3

<3

&#8221;(&#8230;) Dream of ways to throw it all away.&#8221;

Valente seria se houvesse razões para desistir ou possuir, tanto faz. Valente, eu, seria se não me apaixonasse por você, se negasse ao mundo e a todos o quanto te preciso em todos os meus círculos de vida.

Pensar em nada, viver de nada, um nada repleto de calmaria sem a tua risada engraçada para me deixar constrangida ou o teu jeito desengonçado, mas incrivelmente sexy, de dançar.

Dança a noite inteira, comigo, sem mim, a ordem não importa, o que importa é que é moldado sob medida. Com jeito e gingado de menino, mas aparência de homem.

Faz da vida uma eterna balada-de-sonhos-perdidos.

Que se encontram nos meus barzinhos da vida, cheio de história pra contar e eu, como boa ouvinte, paro e contemplo a raridade que é o teu olhar.

 Sem desculpas e poucas palavras ele volta, volta porque sente necessidade dessa calmaria que é a minha festa no apê, e volta mais uma vez, porque em mim ele encontra todos aqueles sonhos que pensava não mais existir.

E eu me encontro novamente perdida em mim e nos meus milhares de desejos.

Desejos aqueles que você sacia, nos 45 do segundo tempo.

Beatriz M.